quinta-feira, 2 de julho de 2009

CONSTATAÇÃO


Aquecimento global causa encolhimento de carneiros

Afra Balazina, Folhapress

Essa é mais uma prova dos malefícios causados pelo aquecimento global. Uma população de carneiros de uma ilha da Escócia está encolhendo. E o provável culpado, segundo cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos, é o aquecimento global.

A teoria evolutiva indica que, ao longo do tempo, naquela região fria, o tamanho médio dos carneiros deveria aumentar -os maiores teriam maior probabilidade de sobreviver e de se reproduzir do que as menores.

Porém, os invernos na região da ilha Hirta (no arquipélago St. Kilda), onde vivem os carneiros-de-soay, ficaram menos rigorosos. Consequentemente, são mais fáceis de serem enfrentados e, por isso, hoje os animais menores são mais capazes de sobreviver à estação.

A pesquisa mostra que os animais estudados estão, em média, 5% menores hoje do que em 1985, quando o trabalho teve início. O líder da pesquisa, Tim Coulson, do Departamento de Ciências da Vida do Imperial College de Londres, disse que "a evolução é causada pela seleção natural, e as alterações climáticas têm alterado a forma como ela funciona''.

Ele explica: "No passado, só os carneiros grandes e saudáveis, que ganharam peso em seu primeiro verão, poderiam sobreviver ao inverno em Hirta. Mas agora, devido às alterações climáticas, o capim que serve de alimento aos animais está disponível por mais meses e as condições de sobrevivência não são tão desafiadoras''.

Seus resultados, publicados na edição on-line do periódico "Science'', sugerem que o encolhimento dos ovinos é uma resposta à variação ambiental nos últimos 25 anos e que a evolução contribuiu relativamente pouco neste processo.

ENERGIA RENOVÁVEL


Pesquisadores desenvolvem material para torres eólicas 40% mais barato

EcoDesenvolvimento

Pesquisadores da Universidade de Coimbra apresentam, no Ceará, uma técnica inovadora de construção de torres metálicas para fábricas eólicas, que poderá reduzir até 40% o preço do equipamento. A pesquisa será exibida durante o Power Future 2009 - Exposição Internacional e Seminários das Energias Alternativas e Renováveis, que é realizado em Fortaleza, de 29 de junho a 1º de julho.

O projeto utiliza aço de alta resistência para "fazer nascer uma nova geração de torres, mais leves, fáceis de transportar e, portanto, mais econômicas", informou em comunicado o presidente do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), Luís Simões da Silva.

Luís Simões, que é o principal responsável pelo projeto sobre torres de aço super-resistentes para turbinas eólicas, ressaltou que a tecnologia contempla torres "com uma altura entre os 80 e os 120 metros".

Para o diretor-geral da Braselco (empresa de serviços com sede em Fortaleza e que atua nas áreas de projetos, assessoria e consultoria em energias renováveis), Armando Abreu, a inovação representa um significativo avanço para o setor.

“Essa nova tecnologia vai permitir a substituição das tradicionais flanges, utilizadas na união das seções de torres metálicas de aerogeradores eólicos, por peças construídas em aço S460, de alta resistência e mais baratas", explicou. Ele estima uma economia de 30% a 40% no preço das torres, que custam até R$ 1,2 milhão.

PARCERIAS

Para Simões da Silva, o trabalho desenvolvido "mostra claramente que a universidade não faz investigação abstrata, mas sim de utilização prática". Ele informou ainda que outras universidades da Suécia, Alemanha e Grécia são parceiras no projeto, e que a intenção é analisar as possibilidades de inserir as universidades do Ceará no programa. Empresas da Finlândia, Alemanha e de Portugal também fazem parte do grupo que desenvolveu o projeto.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

SÓ EM 2050!

Potências consideram reduzir à metade CO² do mundo

Por Alister Doyle

OSLO (Reuters) - Grandes potências econômicas, como Estados Unidos e China, estão avaliando a possibilidade de estabelecer como meta reduzir à metade as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2050 quando se encontrarem numa cúpula na Itália no mês que vem, indicou um documento preliminar.

O texto diz que o Fórum das Maiores Economias (MEF, na sigla em inglês), que conta com 17 membros, tentará dobrar os investimentos públicos em tecnologia de baixo carbono até 2015 e incrementar o financiamento para combater o aquecimento global, tanto por fontes públicas e privadas, como pelos mercados de carbono.

O projeto foi proposto pelos EUA e pelo México durante discussões no México esta semana, sem que se chegasse a um acordo antes da cúpula do MEF em 9 de julho. O presidente dos EUA, Barack Obama, lançou o MEF para ajudar na negociação de um novo pacto climático da Organização das Nações Unidas (ONU) esperado para dezembro.

"Apoiamos uma meta global de reduzir as emissões globais em 50 por cento até 2050, com os países desenvolvidos reduzindo as emissões em ao menos 80 por cento até 2050", diz a versão preliminar do projeto, obtido pela Reuters e datado de 22 de junho.

No ano passado, os países industrializados do Grupo dos Oito concordaram em uma cúpula no Japão com a "perspectiva" de reduzir à metade os gases-estufa mundiais até 2050 para ajudar a evitar mais secas, enchentes, ondas de calor e o aumento no nível dos oceanos.

Países em desenvolvimento, incluindo China, Índia e Brasil, não aprovaram essa meta para 2050 no Japão, argumentando que os ricos tinham que, primeiro, estabelecer metas rigorosas até 2020 para si. A cúpula do MEF ocorrerá em paralelo à cúpula do G8 deste ano na Itália.

A declaração preliminar de duas páginas não estabelece metas claras, mas diz que os países desenvolvidos, incluindo os EUA, a União Europeia e o Japão, iriam "responsabilizar-se por robustas reduções individuais e agregadas no intervalo de tempo até 2020."

Países em desenvolvimento como a China e a Índia dizem que os ricos deveriam cortar as emissões em "ao menos 40 por cento" abaixo dos níveis de 1990 até 2020 -- meta que, segundo os países desenvolvidos, está fora de alcance enquanto eles tentam estimular as economias atingidas pela recessão.

E o texto diz que os países em desenvolvimento tomariam medidas até 2020 para garantir uma "distância significativa dos negócios de costume" a fim de reduzir as emissões crescentes, principalmente pela queima de combustíveis fósseis.

O documento também chega perto de estabelecer um ano de pico para as emissões globais. "O ponto máximo das emissões globais e nacionais deve ocorrer o mais rápido possível, reconhecendo que o cronograma para que se atinja o ponto máximo será mais longo nos países em desenvolvimento."

Os 17 membros do MEF são responsáveis por 80% das emissões globais.

terça-feira, 23 de junho de 2009

GERAÇÃO DE ENERGIA


Minc defende incentivo à energia eólica

Carlos Rangel
Mercado Carbono

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, quer ampliar a geração de energia eólica no País. Durante o Fórum Nacional Eólico, encerrado sábado (20), disse que "o Brasil não pode continuar na contramão da tendência mundial", referindo-se à ampliação da geração de energia por usinas térmicas. Segundo ele, o Brasil tem um papel determinante na Convenção do Clima de Copenhague (COP-15), em dezembro, e tem de mostrar que está investindo em energia limpa, informa Paulenir Constâncio, da assessoria do ministério.

O ministro assinou a Carta dos Ventos com dez secretários de Estados e todos os representantes brasileiros do setor. O documento aponta para a busca de consenso sobre as necessidade de maior participação da energia limpa eólica na matriz energética brasileira. Segundo o ministro, o leilão para a entrada de 1000 MW de origem eólica no sistema ainda é pouco. "Temos de fazer leilão de pelo menos 3 mil por ano", disse.

Minc disse que o Ministério do Meio Ambiente planeja simplificar o licenciamento. Já está no Conama resolução que fará com que as usinas térmicas adotem medidas mitigatórias, assumindo o custo ambiental de suas emissões, o que tornará os parques eólicos mais competitivos, além de incentivar a integração da geração eólica ao sistema de distribuição das demais fontes. A importação, um dos entraves da ampliação do setor, terá IPI reduzido, segundo entendimentos que vem sendo mantidos com a área econômica do governo, além de reduzir os índices de nacionalização do setor, atualmente em 70%.

"O Brasil é a terra dos ventos" e precisa investir bem mais na energia limpa e não nas térmicas, que lançam toneladas de CO2 na atmosfera. Para ele, o Nordeste tem vocação natural para esse tipo de energia e poderá receber a instalação dos chamados parques offshore, na plataforma marítima, que tem baixo impacto.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

EFEITO DA CRISE MUNDIAL

Famintos serão mais de 1 bilhão em 2009

Os conceitos de Sutentabilidade levam em conta o "nós" em relação ao desenvolvimento individual. Notícias ruins nos preocupam e nos mostram o quanto ainda precisamos melhorar para alcançarmos uma sociedade mais sustentável. A última surgiu nesta sexta-feira (19), divulgada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO): a barreira de um bilhão de pessoas que passam fome será superada em 2009 em consequência da crise econômica mundial.

"Pela primeira vez na história da humanidade, mais de um bilhão de pessoas, concretamente 1,02 bilhão, sofrerão de subnutrição em todo o mundo", adverte a FAO em um relatório sobre a segurança alimentar mundial.

O número supera em quase 100 milhões o do ano passado e equivale a uma sexta parte aproximadamente da população mundial.

Segundo as estimativas da FAO, baseadas em um estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, "a maioria das pessoas subnutridas vive em países em desenvolvimento".

Quase 53 milhões de pessoas sofrerão fome em 2009 na América Latina e Caribe.

O número chega a 642 milhões na Ásia-Pacífico, 265 milhões na África subsaariana, 42 milhões no Oriente Médio e África do Norte e 15 milhões nos países em desenvolvimento.

O número de subnutridos no mundo passou de 825 milhões no biênio 1995-1997 a 873 milhões de 2004 a 2006.

O QUADRO PIOROU

Em 2008, o númerou caiu de 963 milhões a 915 milhões por uma melhor distribuição dos alimentos, mas a tendência se reverteu com o agravamento da crise econômica e financeira do fim do ano.

Para a FAO, o objetivo fixado em 1996 na Cúpula Mundial sobre a Alimentação (CMA) de reduzir à metade o número de pessoas com fome não será alcançado. A meta foi ratificada, no entanto, com o compromisso de ser atingida em 2015, em uma reunião da ONU em Roma em junho de 2008.

Mas a redução da renda pela crise e os elevados preços dos alimentos foram devastadores para as populações mais vulneráveis.

As estimativas da FAO confirmam a tendência desalentadora da última década para uma insegurança alimentar maior e revelam claramente o impacto da crise nas populações mais pobres do planeta.

"O aumento da insegurança alimentar que aconteceu em 2009 mostra a urgência de encarar as causas profundas da fome com rapidez e eficácia", afirma a organização. "A atual desaceleração da economoa mundial, que segue a crise dos alimentos e dos combustíveis e coincide em parte com ela, está no centro do forte aumento da fome no mundo", indica a agência da ONU.

Na América Latina e Caribe, a única região que registrou sinais de melhora nos últimos anos, também foi comprovado um aumento (12,8%) do número de desnutridos.

O relatório completo sobre a insegurança alimentar no mundo será apresentado oficialmente em outubro.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

DEBATE

AL-MA discute problemas climáticos e desertificação

A Assembleia Legislativa do Maranhão (AL-MA) promove, nesta quinta-feira (18), às 14h, audiência pública para discutir aspectos das mudanças climáticas e desertificação no país, particularmente no Nordeste. Proposta pela deputada Helena Barros Heluy (PT), a audiência será coordenada pela Comissão de Meio Ambiente e acontecerá no auditório Fernando Falcão.

O evento será mais uma forma do parlamento maranhense celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) e o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca (17 de junho).

De acordo com o relatório do IPCC, o semi-árido é uma das regiões brasileiras mais afetadas pela alteração do clima global. Estima-se que no Nordeste, uma área maior que o estado do Ceará já está atingida pela desertificação de forma grave ou muito grave. Em outras áreas o fenômeno ocorre de forma ainda moderada. A região tem 600 mil km2 afetados pela degradação do ambiente - 1/3 de todo o território nordestino.

Foram convidados alguns dos mais renomados estudiosos do país na área, entre eles o Dr. José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e membro do Painel Inter-Governamental de Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas. Ano passado Marengo coordenou um estudo, em parceria com a Vale que analisou alterações climáticas nos estados do Pará e Maranhão.

Outro convidado é o dr. Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária (CNTIA), que também coordenou o estudo “Aquecimento Global e a Nova Geografia da Produção Agrícola no Brasil”, desenvolvido com a Universidade de Campinas (Unicamp) e apoio da Embaixada do Reino Unido.

Outros especialistas convidados são o msc Nelson Luiz Wendel da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural do Ministério do Meio Ambiente e Coordenação de Combate à Desertificação e os dirigentes do IBAMA-MA, Marluze Pastor; da Secretaria de Estado e Meio Ambiente, Washington Rio Branco; da Amavida/Articulação Semi Árido do Maranhão (ASA-MA), João Otávio Malheiros; e, do Ministério Público do Maranhão, Luiz Fernando Barreto.

DESEQUILÍBRIO GLOBAL


EUA já vive problemas de desequilíbrio do clima global

Agência Globo

Um relatório do governo norte-americano divulgado nesta terça-feira (16) afirma que a poluição no planeta atingiu o pior nível da história. E previu que a ação do homem vai provocar catástrofes naturais nos próximos cem anos.

Tempestades mais intensas, tornados mais devastadores, secas e inundações com grande poder de destruição - como as que aconteceram no Norte e no Sul do Brasil.

A explicação para as mudanças extremas no clima do mundo está em quase 200 páginas do relatório do programa americano de pesquisas climáticas globais.

Segundo o estudo, não há dúvida: o aquecimento global, provocado em grande parte pelo homem, está ameaçando o planeta.

O relatório revela que a temperatura da Terra aumentou quase um grau desde mil e novecentos e deve subir entre um e seis graus nos próximos cem anos.

Em 2.000 anos o nível do mar subiu 20 centímetros. E essa medida deve dobrar dentro de um século.

Mas cientistas que estavam na apresentação do relatório, nesta quarta, afirmaram que ainda não é tarde para evitar as consequências mais devastadoras: mais tempestades, erosões e inundações principalmente na costa americana, no Golfo do México, em ilhas do Pacífico e em parte do Alasca.

O aumento da temperatura também pode causar doenças provocadas pela contaminação da água e do ar, infestação de pragas na agricultura, num desafio à produção de grãos e a criação de animais.

Os Estados Unidos, maiores emissores de gases poluentes, estão entre os países que mais devem sofrer com o destempero da natureza. O ex-presidente George W. Bush antes se recusava a controlar a emissão de gás carbônico. Mas essa é uma das promessas de Barack Obama.

Os pesquisadores dizem que as escolhas de políticas ambientais feitas a partir de agora serão determinantes na gravidade dos impactos e nas mudança climáticas que devem acontecer no futuro.