terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mídia debaterá indicadores de sustentabilidade

Entidades avaliarão questões como transparência; qualidade da cobertura; salários e condições de trabalho dos jornalistas e outros funcionários; impactos sócio-ambientais, entre outros

Representantes de meios de comunicação e de entidades sociais da América Latina se reúnem em Brasília, entre os dias 21 e 22, para o seminário "Indicadores de sustentabilidade para o setor de mídia", organizado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), a Fundação Avina, a representação da Unesco no Brasil, a Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI) e a Universidade Javeriana da Colômbia, com apoio da Fundação Ford. O objetivo é discutir a primeira versão de uma ferramenta que permita avaliar as atividades e o impacto das empresas de comunicação do mundo inteiro, com foco na responsabilidade social.

Os indicadores de responsabilidade dos meios de comunicação vêm sendo desenvolvidos pela Gobal Reporting Initiative (GRI) – organização internacional com sede na Holanda que desenvolveu quadros de referência para relatórios de sustentabilidade adotados pelas maiores empresas do planeta.

Para o setor da mídia, questões a serem avaliadas incluem transparência; qualidade da cobertura (devido ao grau de influência do conteúdo divulgado pelos meios de comunicação no público em geral); questões trabalhistas, como salários e condições de trabalho dos jornalistas e outros funcionários; e impactos ambientais, envolvendo, por exemplo, o uso de papel.

Os resultados do seminário serão apresentados a um grupo de trabalho internacional que também recebeu contribuições por uma consulta pública na internet. Depois de mais uma rodada de comentários, os indicadores de sustentabilidade da mídia devem ser implementados em setembro de 2011.

Participam do encontro representantes da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), Associação Nacional de Jornais (ANJ), Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Rede Globo, Grupo Estado, Grupo Abril, El Mercurio (Chile), El Universo (Equador), Última Hora (Paraguai), RPP (Peru) e Telefe (Argentina). As entidades sociais serão representadas pela Andi, o Fórum pela Democratização das Comunicações, a Federação Nacional de Jornalistas, a Rede Nacional de Observatórios de Meios, o Intervozes, o Ipea, o Observatório da Imprensa e o Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília, entre outros.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O perigo da lama tóxica

Episódio que contaminou e matou sete pessoas na Hungria pode muito bem se repetir no Maranhão

Este texto foi produzido pelo jornal Vias de Fato (http://www.viasdefato.jor.br), dos colegas Alice Pires, Altemar Moraes, Cesar Teixeira, Elmo Cordeiro e Emilio Azevedo.

Estou reproduzindo porque o assunto é bem sério e como tal, merece ser amplamente conhecido para que um debate mais aprofundado seja realizado.


Alumar representa uma ameaça para São Luis

Um problema ocorrido recentemente na Europa, neste começo de outubro, deve ser motivo de alerta para toda a população de São Luís e para nossas autoridades públicas municipais, estaduais e federais. Na Hungria, num vilarejo chamado Kolontar, houve um vazamento da chamada “lama vermelha”, o mesmo resíduo tóxico que há 15 anos é enterrado no subsolo de São Luís pela ALUMAR/ALCOA, sem qualquer fiscalização confiável.

O vazamento na Europa foi causado por uma ruptura no reservatório de produtos tóxicos. Até o dia de hoje, vários jornais do Brasil noticiaram a morte de sete pessoas e o ferimento de outras 150. A lama tóxica também danificou casas, ruas, plantações e poluiu fontes de água, provocando a morte de todos (TODOS!) os organismos presentes no rio Marcal, um afluente do rio Danúbio, o segundo maior da Europa. Existe também o risco dos metais pesados contaminarem o ar provocando doenças pulmonares nas pessoas. O governo de lá acredita que o muro todo do reservatório desabe, liberando uma nova onda de lama vermelha.

Lá, o governo já anuncia que os responsáveis enfrentarão "consequências muito sérias”. Aqui, em São Luís, as autoridades puxam o saco da ALUMAR da forma mais desavergonhada. E esta mesma ALUMAR, cala a boca de meio mundo de gente a custa de míseros patrocínios. Os chamados poderes constituídos, no Maranhão, são subservientes com esta multinacional, para não dizer coisa pior.

Estamos falando principalmente de Governo, Prefeitura, Assembléia Legislativa, Câmara Municipal e amplos setores da imprensa. Até o presidente Lula, quando veio ao Maranhão abrir a campanha micareta de Roseana (em dezembro do ano passado) plantou, de joelhos, uma árvore no terreno da Alumar. Isto sob os aplausos da inquilina do Palácio dos Leões (Roseana), do prefeito de São Luís, João Castelo (PSDB), do presidente da Câmara Municipal (Pereirinha) e do Sistema Mirante/Globo.

O Consórcio Alumar, um dos maiores produtores de alumínio do mundo, é dono de algo em torno de 10% da ilha de São Luís e precisa ser fiscalizado. Muito bem fiscalizado! Recentemente, foi anunciado com festa pelo poder público local, que eles estão aumentado sua produção de 1,5 milhões de toneladas ano, para 3,5 milhões. Isto representa seis milhões de toneladas a mais de lama vermelha (que inclui soda cáustica) que serão enterradas todos os anos no solo da ilha de São Luís.

Será que este paquiderme do capitalismo internacional não deve ser muito bem fiscalizado? Hoje, na realidade, ninguém sabe quais os reais impactos que a Alumar já provocou na Ilha de São Luis e em sua população!

Na propaganda oficial é dito que ela “estrutura o seu modelo de negócios apoiada no conceito de sustentabilidade, incorporando no seu dia-a-dia critérios que asseguram o sucesso econômico, a excelência ambiental e a responsabilidade social”. Estas são as belas palavras do site da ALCOA, importante integrante do Consórcio Alumar. Ainda no mesmo discurso consta que “o seu sistema de gestão busca melhorar as condições de saúde, segurança e meio ambiente”.

Mas, discurso à parte, no frigir dos avos, consórcios Alcoa/Alumar trabalha para ter lucro. E não tem pátria. Hoje, eles estão no Maranhão. Amanhã, vão buscar outro espaço do planeta (de preferência bem atrasado politicamente) para enterrar suas toneladas de lixo. Incidentes como este na Europa servem de alerta para a chamada periferia do mundo, caso de São Luís do Maranhão, onde poder público e máfia se confundem.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Febraban lança consulta sobre indicadores de Sustentabilidade

Sugestões dos internautas ajudarão a definir matriz que identificará práticas de sustentabilidade nos negócios

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) acaba de abrir para consulta pública uma proposta de indicadores de sustentabilidade para instituições financeiras. A iniciativa é o primeiro passo no sentido de construir e implementar uma agenda comum de sustentabilidade no setor financeiro.

O objetivo é colher críticas e sugestões que contribuam para a forma final da matriz de indicadores. A atual proposta foi desenhada a partir de discussões da Febraban com representantes do Ministério do Meio Ambiente, organizações não governamentais e bancos. As opiniões poderão ser dadas pelo site www.febraban.org.br/protocoloverde, que ficará no ar até 7 de novembro de 2010.

Com base nas discussões promovidas pela entidade, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (GVces) elaborou a proposta de indicadores, que permitirão aos bancos identificar o status e a evolução das ações implementadas, tendo em vista os compromissos assumidos no Protocolo Verde.

O atual protocolo, assinado em 2009, inclui cinco princípios e diversas diretrizes que estimulam os bancos a oferecerem linhas de financiamento que fomentem e qualidade de vida da população e o uso sustentável do meio ambiente, a considerarem os impactos e custos sócio ambientais na gestão de seus ativos e na análise de risco de projetos, e a promover interna e externamente o consumo consciente dos recursos naturais.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quase 4 bi de sacolas deixam de ser consumidas

Programa implementado em sete capitais pretende fechar 2010 com redução acumulada de 3,9 bilhões de sacolas plásticas

Os organizadores do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas estimam que, até o final de 2010, a redução no consumo destas embalagens no Brasil chegue a 3,9 bilhões de unidades. Iniciado em 2007, numa parceria entre a indústria e o varejo, o Programa, visa conscientizar o consumidor para que pratique o consumo responsável, além do descarte adequado das sacolas plásticas. De lá para cá, foi implantado em sete capitais (São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Goiânia, Brasília, Rio de Janeiro e Recife). Até o final de 2010, Florianópolis e Belo Horizonte também serão incluídas.

O Programa foi desenhado para envolver indústria, varejo e população na questão da responsabilidade. Parte do princípio que é direito do consumidor escolher a melhor embalagem para carregar suas compras. Pesquisa Ibope mostra que 71% das donas de casa brasileiras consideram as sacolinhas como o meio ideal para transportarem as compras. Além disso, 100% delas reutilizam essas embalagens no lixo doméstico.

Para que este consumidor pudesse continuar usufruir dos benefícios que as sacolas plásticas trazem (economia, higiene, praticidade, etc) e, ainda assim, reduzir o consumo dessas embalagens, é necessário que sejam produzidas dentro da norma ABNT 14937. Essas sacolas, identificadas com o Selo de Qualidade INP-ABIEF, aguentam o peso das compras, conforme sua identificação (no geral, 6 quilos). Assim o consumidor evita o uso em duplicidade e pode reutilizar esta sacolas mais vezes, diminuindo o consumo excessivo. Para cada três sacolas certificadas, deixa-se de consumir uma sacolinha. Segundo Paulo Dacolina, diretor Superintendente do Instituto Nacional do Plástico (INP), a expectativa para 2010 é que sejam produzidas três bilhões de sacolas dentro de norma técnica. “Para tanto, nove empresas no Brasil já estão certificadas para fabricar sacolas com o Selo de Qualidade INP-ABIEF”, firma o executivo.

O Programa também estabeleceu importante parceria com o varejo, a partir do apoio da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), das associações estaduais dos supermercados e das Federações das Indústrias dos estados por onde passou. Com isso, o Programa hoje conta com a participação de quatro das seis maiores redes de supermercado do ranking da Abras (Pão de Açúcar, Zaffari, Prezunic e GBarbosa), além de dezenas de outras redes pelo Brasil. Além disso, mais de 5 mil pessoas, entre supervisores e operadores de caixa dos supermercados participantes foram treinados para orientar os consumidores sobre o uso responsável das sacolinhas.

O resultado dessa iniciativa foi notório desde o início. Em 2007, o consumo de sacolas era de 17,9 bilhões em 2007. Em 2008, passou para 16,4 bilhões e, em 2009, para 15 bilhões. A projeção é reduzir em mais 1 milhão em 2010. O Pão de Açúcar, por exemplo, que implantou o Programa em todas as suas lojas no Brasil, obteve redução superior a 30% no consumo de sacolas plásticas.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ARTIGO

Criação da Resex de Tauá-Mirim e a importância para São Luís

Horácio Antunes de Sant’Ana Júnior*
Elena Steinhorst Damasceno**


As Reservas Extrativistas são unidades de conservação previstas em lei federal (SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação, Lei Nº 9.985 de 18 de julho de 2000) nas quais a permanência de populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, está aliada aos objetivos básicos de proteger os meios de vida e a cultura dessas populações e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.

A criação Reserva Extrativista de Tauá-Mirim (ou Resex de Tauá-Mirim) é uma reivindicação antiga de moradores de povoados localizados na porção sudoeste do município de São Luís, porém, seu processo de implantação está parado na Casa Civil do governo federal desde 2007 e encontra forte oposição por parte do governo estadual do Maranhão e de grandes empreendimentos industriais, como o Consórcio Alumar e a Vale (nome pelo qual se apresenta a Companhia Vale do Rio Doce).

A área proposta para a Reserva abrange os povoados Cajueiro, Limoeiro, Porto Grande, Rio dos Cachorros e Taim; engloba também parte da Vila Maranhão e a Ilha de Tauá-Mirim, na qual localizam-se os povoados Amapá, Embaubal, Jacamim, Portinho e Tauá-Mirim, e um amplo espelho d’água na Baía de São Marcos, totalizando 16.663,55 hectares e perímetro de 71,21 km. Essa é uma área com forte presença de manguezais, além de várzeas e nascentes, sendo local de reprodução de várias espécies marinhas, dentre elas o Peixe-Boi (Trichechus manatus) e o Mero (Epinephelus itajara), que estão ameaçados de extinção. Especificamente na região da Resex, são encontrados também o macaco-cuxiú (Chiropotes satanas), o guariba (Alouatta alouatta) e o tamanduaí (Cyclopes didactylus), todos ameaçados de extinção, segundo o Ibama.

Desde o ano de 1996, as lideranças dos moradores da área vêm aprofundando seus conhecimentos sobre as reservas extrativistas e discutindo a possibilidade de criação dessa modalidade de unidade de conservação, o que resultou no abaixo assinado coordenado pelas organizações sociais locais solicitando a criação da Resex, protocolado no Ibama em 2003. Os estudos socioambientais e socioeconômicos realizados pelo Ibama foram concluídos em 2007, atestando a viabilidade e demonstrando a importância de criação dessa unidade de conservação.

Desde então, os moradores dos povoados envolvidos aguardam sua efetivação e buscam aprimorar suas práticas produtivas e sociais no sentido de garantir a conservação ambiental da área, uma vez que estes estão conscientes da corresponsabilidade de uso e conservação dos recursos ali existentes, destacando a pesca como a principal atividade extrativista realizadas pelas comunidades.

O processo de criação da Resex de Tauá-Mirim cumpriu todas as exigências legais e técnicas previstas na legislação vigente e sua implantação depende, atualmente, apenas da vontade política dos governantes.

Em um momento de forte expansão urbana e industrial, é importante para a saúde e qualidade de vida das populações da Ilha do Maranhão e de seu entorno a presença de áreas destinadas à conservação ambiental e à garantia da territorialidade de populações tradicionais. É também um valioso instrumento para a conservação de biomas e ecossistemas ameaçados, já que pela legislação ambiental vigente haveria a necessidade de criação de uma zona de amortecimento contígua à RESEX, o que minimizaria os impactos das atividades industriais e de infraestrutura na região.

A área em questão sofre disputas antigas devido a interesses diferenciados em relação ao seu uso, provocando o choque entre aqueles a planejam para fins industriais (o que gera degradação para o ambiente e para a vida das pessoas) e aqueles que desejam a manutenção do modo de vida secular e da segurança alimentar de populações tradicionais (principalmente através da pesca, do extrativismo e da agricultura familiar).

Desta forma, a criação da RESEX de Tauá-Mirim seria a efetivação de uma política pública que garantiria aos grupos sociais que ali vivem a possibilidade de sair da situação conflitiva em que se encontram e de buscar revigoramento de suas relações sociais, culturais e produtivas, articulando-as com a defesa e manutenção do ambiente em que sempre viveram.

Por outro lado, a recorrente postergação do ato que criaria oficialmente a Resex de Tauá-Mirim permite-nos constatar que a manutenção da qualidade de vida, proveniente da manutenção da qualidade ambiental, não é uma prioridade na agenda política nem do governo federal nem do governo estadual. A prática governamental prioriza os grandes empreendimentos. No entanto, o histórico dos últimos trinta anos de projetos de desenvolvimento no Maranhão tem demonstrado que nem mesmo a criação de novos postos de trabalho, utilizada como justificativa para novos empreendimentos, é uma forma eficiente de oferecer emprego à população maranhense, já que esta, em sua grande maioria, não possui qualificação suficiente para ocupá-los: vide os índices de IDH tão utilizados como referência e o baixíssimo índice de pessoas das comunidades em questão empregadas nas indústrias já implantadas em seu entorno.

Um dos principais motivos que as lideranças dos povoados que pleiteiam a criação da Resex de Tauá-Mirim alegam para resistirem à instalação de novos projetos industriais e de infraestrutura na região – e igualmente resistirem aos consequentes deslocamentos populacionais, já que são terras secularmente ocupadas por populações tradicionais – é a constatação da desestruturação comunitária e familiar que um deslocamento desses provoca. Essa constatação advém da experiência de seus vizinhos, que foram deslocados na década de 1980 para instalação do Complexo Portuário de São Luís, da Alumar e da Vale do Rio Doce. Caso haja novamente a necessidade de deslocamentos, as populações desalojadas, provavelmente, terão dificuldades em encontrar novas ocupações e terminarão por engrossar ainda mais o caldo de marginalizados na periferia do centro urbano de São Luís, o que se constituiria em uma tremenda injustiça social e ambiental.

Dentre as motivações para se criar unidades de conservação no entorno de São Luís, existe a necessidade de contornar a problemática ambiental presente na Ilha do Maranhão, por possuir as fragilidades inerentes a qualquer ambiente insular e por possuir máxima sensibilidade ambiental para as áreas de manguezais, principalmente quanto à prevenção de impactos ambientais oriundos de derramamento de óleo, produtos químicos altamente comprometedores (uréia, aldeídos, pesticidas, herbicidas, adubos, fertilizantes), além dos impactos ocasionados pelo esgoto doméstico jogado ao mar sem tratamento, já que a capital não possui estações de tratamento de esgoto ativas e muito menos redes para transportar os dejetos. Tal fato corrobora ainda mais a importância de conservação da região de estudo, na medida em que tal degradação ambiental leva à diminuição da produtividade da pesca em todos os ambientes aquáticos.

Deve-se lembrar, ainda, que as regiões estuarinas, onde ocorre o mangue (ecossistema manguezal), são consideradas área de preservação permanente pelo Código Florestal (Lei Nº 4771 de 15 de setembro de 1965), e estão também contempladas na Convenção Internacional de Ramsar – sobre a preservação de áreas úmidas, da qual o Brasil é signatário. O Maranhão é contemplado com dois sítios Ramsar dentre os oito sítios brasileiros: a Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense e as Reentrâncias Maranhenses.

A Declaração de Changwon – um convite para ação do 10° Encontro da Conferência das Partes (no contrato para a Convenção de Ramsar sobre Zonas Úmidas), que foi realizada em Changwon, na República da Coréia, de 28 de outubro a 04 de novembro de 2008 – destaca a importância de impedir que as zonas úmidas do planeta sejam degradadas ou perdidas e de restaurar as que já estão degradadas, além de administrá-las sabiamente, baseado no reconhecimento claro de que todos dependemos de zonas úmidas preservadas para a manutenção da qualidade de nossa água, no que se reflete ao abastecimento (de água e de alimentos), à saúde, à agricultura, à pesca e à proteção da biodiversidade, além da minimização dos impactos das mudanças climáticas, já que as zonas úmidas ajudam na atenuação de enchentes, na retenção de carbono e na redução de emissões de gases estufa.

Segundo essa declaração, os tomadores de decisão precisam reconhecer a “infraestrutura natural” como um recurso principal no combate e adaptação às mudanças climáticas. Água e zonas úmidas funcionais têm um papel chave na resposta às mudanças climáticas e na regulação de processos climáticos naturais. A preservação e uso inteligente das zonas úmidas ajudam a reduzir os efeitos negativos que possam ocorrer, tanto sociais e ecológicos quanto na economia. Neste caso, a Resex de Tauá-Mirim seria um exemplo de política ambiental consonante com estes princípios e recomendações, já que a área proposta para a Resex é rica em manguezais e possui inúmeras nascentes e olhos d’água, além de ser, em função de suas características geológicas, uma área de recarga de aqüíferos (isto é, águas subterrâneas potáveis) que abastecem boa parte dos municípios localizados na Ilha.

O Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA), vinculado ao Departamento de Sociologia e Antropologia (Desoc) e ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCSoc) da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), desde 2005, realiza estudos na área, tendo produzido monografias de final de cursos de graduação, dissertações de mestrado, relatórios de pesquisa, artigos publicados em periódicos científicos e apresentados em congressos. A relevância destas produções resultou na publicação, em 2009, pela Edufma, do livro “Ecos dos conflitos socioambientais: a Resex de Tauá-Mirim”. Os estudos realizados atestam que as populações dos povoados envolvidos na criação da Resex são efetivamente populações tradicionais, algumas famílias moram na área há mais de cem anos, gerando modos de vida próprios e, historicamente, têm contribuído para a conservação ambiental do território que constituem.

Desta forma, as vésperas do aniversário de criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do governo federal encarregado da gestão de unidades de conservação, a ser celebrado no dia 27 de agosto de 2010, e por todos os motivos acima apontados, estamos confiantes que a criação da Resex de Tauá-Mirim se constituirá em mais uma justa homenagem à memória de um dos formuladores da concepção de Reserva Extrativista, Chico Mendes, e àqueles que lutam cotidianamente, no Maranhão, para conservar seu modo de vida e o ambiente no qual foram criados e vivem.

*Sociólogo, Professor Doutor dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Políticas Públicas; Coordenador do Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA), da Universidade Federal do Maranhão. Atualmente realiza seu Pós-Doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

**Bióloga, Mestre em Saúde e Ambiente, Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e pesquisadora do Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA), da Universidade Federal do Maranhão.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Maranhão realiza encontro de blogs e twitters



Evento é uma extensão do Encontro de Blogueiros Progressistas do Brasil, realizado em São Paulo

Pela 1ª vez o Maranhão contará com um evento reunindo blogueiros e tuiteiros de todo o estado. O Grande Encontro dos Blogueiros e Twitteiros Progressistas do Maranhão acontece na quinta-feira (2 de setembro), das 13h às 20h, no antigo Hotel Vila Rica (ao lado da Igreja da Sé). As inscrições prévias poderão ser reservadas pelo email noderede@gmail.com. No dia, será feita no próprio local do encontro.

Convocado por blogues como Acorda Alice, CISocial, ComContinuação, Ecos das Lutas, (blogue do) Ed, Entreatos, (blogue do) Eri, (blogue do) Itevaldo, Lat but not least, Rico Choro, Sustentabile, O Juízo Final e (blogue do) Zema, o Encontro é decorrente dos encaminhamentos do Encontro de Blogueiros Progressistas do Brasil, realizado em São Paulo.

No Maranhão, a iniciativa dos blogues conta com o apoio da Cáritas, Agência Matraca, Sociedade Maranhende de Direitos Humanos (SMDH), NEEC-UFMA e Instituto Barão de Itararé, conformando o projeto "Nó de Rede", que objetiva constituir uma rede de blogueiros comprometidos com a defesa dos direitos humanos, a da democratização da comunicação e a mudança social, política e econômica no Maranhão.

Confira a programação do encontro detalhada em seus objetivos e horários dos trabalhos.

SERVIÇO

Aguardamos sua confirmação (antecipadamente pelo e-mail noderede@gmail.com ou na hora e local do encontro) e presença.
Data: 2 de setembro (quinta-feira).
Hora: das 13h às 20h.
Local: Quality Grand São Luís Hotel (antigo Hotel Vila Rica, ao lado da Igreja da Sé, Praça Pedro II, Centro, São Luís/MA)

Objetivos:
1. Organizar rede de blogueiros e tuiteiros comprometidos com a promoção dos direitos humanos, a democratização da comunicação e a mudança social, política e econômica do Maranhão;
2. Articular ações comunicativas, interativas e colaborativas entre os blogueiros e tuiteiros interessados na produção compartilhada de conhecimento;
3. Buscar a inovação científica e tecnológica necessária à interação na internet e à produção compartilhada e colaborativa de conhecimento na rede.

PROGRAMAÇÃO

13h – inscrições no Encontro de Blogueiros e Tuiteiros Progressistas do Maranhão. Coordenação: Sóstenes Salgado (Blog CISocial).
14h30min – Abertura. Saudações à plenária, apresentação dos objetivos e programa do Grande Encontro de Blogueiros e Tuiteiros Progressistas do Maranhão e informes do 1°. Encontro de Blogueiros Progressistas do Brasil, com Ricarte Almeida Santos (Blog Rico Choro, secretário executivo da Cáritas Brasileira Regional Maranhão), Luís Antônio Câmara Pedrosa (Blog do Pedrosa, assessor jurídico da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos–SMDH) e Itevaldo Júnior (Blog do Itevaldo). Coordenação: Elen Mateus (Blog Last But Not Least, assessora de comunicação do Centro de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes Pe. Marcos Passerini).

15h – Conferência de abertura. Internet, democracia e mudança social, com Rogério Tomaz Jr. (Blog Conexão Brasília-Maranhão, assessor de comunicação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados). Coordenação: Zema Ribeiro (Blog do Zema, assessor de comunicação da Cáritas-MA).

16h – Mesa Redonda I – Ameaças à democracia e à Internet versus ações interativas e compartilhadas na rede, com Francisco Gonçalves (coordenador do NEEC-UFMA) e Guilherme Zagallo (OAB-MA). Coordenação: Franklin Douglas (Blog Ecos das Lutas).

17h – Mesa Redonda II – Produção de conteúdo, sustentabilidade de blogue e tuiter e inovação tecnológica, com Ed Wilson (Blog do Ed) e Márcio Carneiro (Professor da UFMA). Coordenação: Marcos Franco (Blog Entreatos e presidente da AMI).

18h – Intervalo para articulações, trocas de links e bate-papo.

18h30min – Plenária Final – aprovação da Carta dos Blogueiros e Tuiteiros Progressistas do Estado do Maranhão.

AO LONGO DA PROGRAMAÇÃO, PRONUNCIAMENTOS DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO MARANHÃO

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Saneamento melhoraria em 10% renda maranhense

Quase 10%. Este seria o percentual que aumentaria a renda média do cidadão maranhense caso já houvesse a implantação universal da rede de esgotos no estado. O acesso ao saneamento básico também valorizaria os imóveis locais em pelo menos 9,9%.

Estes números foram constatados na pesquisa "Benefícios econômicos da expansão do saneamento básico", encomendada pelo Instituto Trata Brasil e realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ela revela que a renda média e a produtividade do trabalhador no Maranhão cresceriam 9,4% com a universalização da rede de esgoto.

Segundo a pesquisa, apenas 45,7% dos moradores de São Luís são atendidos pela rede de esgoto. A capital maranhense ocupa a 65ª posição no ranking Trata Brasil que lista a situação de 81 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes. “A evolução do setor é inquestionável, mas o déficit continua. Os investimentos precisam se crescentes para reduzir o número de brasileiros que ainda não tem acesso ao saneamento básico”, esclarece o presidente do instituto, André Castro.

Por outro lado, ao ter acesso à rede de esgoto, um goiano, por exemplo, aumenta sua produtividade em 7,9% permitindo assim o crescimento de sua renda na mesma proporção. A estimativa é que a massa de salários no Maranhão, que hoje gira em torno de R$ 35,97 bilhões, tenha um ganho de R$ 2,83 bilhões por ano.

Efeito imobiliário

A universalização do acesso à rede de esgoto pode ainda proporcionar uma valorização média nacional de até 18% no valor dos imóveis. Essa valorização terá efeitos diferenciados em cada estado da Federação, mas os estados com maior deficiência são os que teriam o maior volume de ganhos. A pesquisa estima que a valorização dos imóveis, no Maranhão, chegaria, por exemplo, aos 9,9%.

Saúde

A pesquisa mostra ainda os efeitos da universalização do saneamento na área da saúde e revela que, por ano, 217 mil trabalhadores brasileiros precisaram se afastar de suas atividades devido a problemas gastrointestinais ligados a falta da coleta e tratamento adequado do esgoto. Somente no Maranhão, foram 41.890 internações, em 2009; sendo que 727 delas poderiam ser evitadas.

O estudo também apurou que em 2009, de acordo com o DATASUS, dos 462 mil pacientes internados por infecções gastrointestinais, 2.101 faleceram no hospital. No Maranhão foram 63 mortes, dessas 41 vidas poderiam ter sido salvas com a implantação do saneamento.